Falar de tarot em outra língua

13 de novembro de 2025
Como traduzir um tarot que nasce de território, corpo e cultura? Viver fora me faz perguntar até onde o Brasil viaja com a gente.

Em português, falar “sou taróloga” já desperta curiosidade nas pessoas.

Mas em espanhol ou em inglês… imagina só!

Independente do país, falar com o que eu trabalho é sempre interessante (pra dizer o mínimo)

Com o tempo, eu fui pegando o jeito… mas explicar o que é o tarot fora do Brasil virou um exercício antropológico.

Olha só

O tarot eu explico: são cartas, símbolos, arquétipos.
Mas e o axé que atravessa o nosso corpo e guia tudo isso?

Como traduzir algo que se sente antes de se entender?

Traduzir o invisível

Moro na Europa já faz mais de um ano, e a nossa espiritualidade é muito diferente das práticas aqui… por isso muita gente vem com várias perguntas.

Já tentei até explicar o que é um banho de Pombagira pra uma mulher espanhola.
O axé de um malandro pra um britânico.

E falando de espiritualidade em outra língua eu percebo que, mais do que traduzir palavras, eu tô tentando traduzir uma forma territorial de experienciar o sagrado.

Quando o território muda, o sentido muda junto

As mesmas cartas que eu leio aqui, na Espanha, carregam nuances diferentes das que leio no Brasil.

É como quando alguém me pergunta em inglês o que é “limpeza energética” e eu tento explicar sem cair no estereótipo da “jovem mística”…

No fundo, tô falando de autocuidado, de não carregar o que não é seu.

Mas em português, essa ideia já faz parte da nossa cultura (seja você de terreiro ou não).

Tarot com sotaque

Essas experiências me fizeram entender que o meu tarot carrega a ginga da nossa cultura.

Tem dança, tem dengo, tem axé. Não tem pra onde correr!

E talvez eles nunca entendam completamente o que é o tarot brasileiro… e tá tudo bem!

Porque o que a gente vive não nasceu pra caber em tradução.

E o nosso axé atravessa o oceano mesmo assim.